Promoção e sucessão

O MBTI® serve para decidir promoção e sucessão?

Muitas empresas têm o tipo MBTI® de seus gestores à mão e se perguntam se ele pode ajudar a escolher quem sobe. A resposta começa pelo que diz a própria editora do instrumento.

Resposta curta: não é o uso indicado. A própria editora do instrumento MBTI® afirma que ele não se destina à seleção de candidatos e considera antiético exigi-lo para eliminar alguém. Para decidir promoção e sucessão, a empresa precisa saber como o líder tende a agir no trabalho, comparado com uma norma, e o que pode atrapalhar sob pressão.

O que diz a editora

A The Myers-Briggs Company, editora exclusiva do instrumento MBTI®, publica na página MBTI® Facts que o instrumento não foi feito para selecionar candidatos e que exigir que alguém o responda, quando o resultado pode eliminar essa pessoa, é antiético. O uso recomendado é o desenvolvimento: autoconhecimento, comunicação e trabalho em equipe. A mesma página diz que ele também não serve para designar pessoas a equipes, papéis ou funções dentro da organização.

Esse é o ponto de partida mais honesto para a conversa. A questão não é se o instrumento é bom ou ruim, e sim para que ele foi desenhado.

Três motivos técnicos

O tipo muda

Segundo a editora, cerca de metade das pessoas obtém o mesmo tipo de quatro letras ao refazer o instrumento. Uma decisão de carreira não pode depender de um rótulo que varia com essa frequência.

Os escores são contínuos

As pontuações se concentram no centro e não se dividem em dois grupos (Bess & Harvey, 2002). Separar as pessoas em tipos coloca em lados opostos quem está quase no mesmo ponto.

Falta um fator

As escalas correspondem a quatro dos cinco grandes fatores de personalidade e deixam de fora a estabilidade emocional (McCrae & Costa, 1989), fator associado à liderança em meta-análise (Judge et al., 2002).

As escalas do MBTI® têm confiabilidade aceitável (Capraro & Capraro, 2002). A fragilidade está em transformar escores em tipos, não em cada escala isolada.

O que uma decisão de liderança precisa saber

Pergunta da decisãoComo responder com evidência
Como esta pessoa tende a agir com a equipe e com os pares?Escalas de personalidade para o trabalho, comparadas com uma norma (HPI)
O que pode atrapalhar quando a pressão sobe?Tendências que surgem sob estresse e desgastam a reputação do líder (HDS)
Em que ambiente ela rende mais?Valores e motivação (MVPI)
O que ela já entregou?Entrevista estruturada e histórico de resultados

A pesquisa sustenta esse caminho, com limites claros. Os cinco grandes fatores juntos têm correlação de 0,48 com liderança (Judge et al., 2002). Quando o traço medido é o que importa para o critério avaliado, as validades estimadas ficam entre 0,34 e 0,43 (Hogan & Holland, 2003, estudo de autores ligados à Hogan). São estimativas corrigidas, e revisões recentes indicam que parte das correções usadas na área superestima a validade (Sackett et al., 2022). Nenhum preditor isolado é infalível, e nas estimativas revisadas a entrevista estruturada lidera (Sackett et al., 2022). Por isso a avaliação de personalidade entra junto com a entrevista e o histórico, nunca no lugar deles.

Errar não é raro: estimativas publicadas de fracasso gerencial variam de 30% a 67%, com mediana de 50% (Hogan, Hogan & Kaiser, 2011).

E o MBTI® que a empresa já tem?

Ele continua útil no lugar dele: desenvolvimento, conversas de time, autoconhecimento. Se o seu programa de liderança já usa o instrumento, veja como dar o próximo passo sem desmontar o que funciona.

Para decisões de sucessão, veja como a Artisan conduz a avaliação de sucessão de liderança. Para conhecer os instrumentos, leia o guia de introdução à Hogan.

Perguntas frequentes

O MBTI® pode ser usado para escolher quem será promovido?

A própria editora do instrumento MBTI® afirma que ele não se destina à seleção de candidatos e considera antiético exigi-lo quando o resultado serve para eliminar alguém. O uso que ela recomenda é autoconhecimento e desenvolvimento.

Por que um tipo de personalidade não basta para decidir?

Segundo a editora, cerca de metade das pessoas obtém o mesmo tipo ao refazer o instrumento. Os escores se distribuem de forma contínua, não em dois grupos, e as escalas deixam de fora a estabilidade emocional (Bess & Harvey, 2002; McCrae & Costa, 1989).

Personalidade ajuda a prever o desempenho de um líder?

Ajuda, com limites. Os cinco grandes fatores juntos têm correlação de 0,48 com liderança, somando o surgimento do líder e a eficácia dele (Judge et al., 2002). As relações são moderadas, e nenhum preditor isolado é infalível (Sackett et al., 2022). Por isso a avaliação de personalidade entra junto com entrevista estruturada e histórico de entregas.

O que deve entrar numa avaliação para sucessão?

Como a pessoa tende a agir no trabalho, comparada com uma norma; o que pode atrapalhar sob pressão; o que a motiva; e evidência do que ela já entregou, levantada em entrevista estruturada.

Tem uma decisão de promoção ou sucessão pela frente?

Conte o contexto da posição. A gente mostra como montar a avaliação.

Conversar pelo WhatsApp Comparativo Hogan, DISC, MBTI® e Big Five

Referências

  • Bess, T. L., & Harvey, R. J. (2002). Bimodal score distributions and the Myers-Briggs Type Indicator: Fact or artifact? Journal of Personality Assessment, 78(1), 176-186. doi:10.1207/S15327752JPA7801_11
  • Capraro, R. M., & Capraro, M. M. (2002). Myers-Briggs Type Indicator score reliability across studies. Educational and Psychological Measurement, 62(4), 590-602. doi:10.1177/0013164402062004004
  • Hogan, J., & Holland, B. (2003). Using theory to evaluate personality and job-performance relations: A socioanalytic perspective. Journal of Applied Psychology, 88(1), 100-112. doi:10.1037/0021-9010.88.1.100
  • Hogan, J., Hogan, R., & Kaiser, R. B. (2011). Management derailment. In S. Zedeck (Ed.), APA handbook of industrial and organizational psychology (Vol. 3, pp. 555-575). doi:10.1037/12171-015
  • Judge, T. A., Bono, J. E., Ilies, R., & Gerhardt, M. W. (2002). Personality and leadership. Journal of Applied Psychology, 87(4), 765-780. doi:10.1037/0021-9010.87.4.765
  • McCrae, R. R., & Costa, P. T. (1989). Reinterpreting the Myers-Briggs Type Indicator from the perspective of the five-factor model of personality. Journal of Personality, 57(1), 17-40. doi:10.1111/j.1467-6494.1989.tb00759.x
  • Sackett, P. R., Zhang, C., Berry, C. M., & Lievens, F. (2022). Revisiting meta-analytic estimates of validity in personnel selection. Journal of Applied Psychology, 107(11), 2040-2068. doi:10.1037/apl0000994
  • The Myers-Briggs Company. MBTI® Facts. Consulta em 13/10/2026.
MBTI, Myers-Briggs e Myers-Briggs Type Indicator são marcas registradas da Myers & Briggs Foundation, Inc. A Artisan Consultoria não é afiliada, patrocinada nem endossada pela fundação nem pela editora do instrumento. Hogan, HPI, HDS e MVPI são marcas da Hogan Assessment Systems; a Artisan é distribuidora oficial Hogan no Brasil. Conteúdo educativo; cada leitura de personalidade é hipótese a confirmar com a pessoa.