Desenvolvimento de líderes

Do MBTI® ao Hogan: o próximo passo nos programas de liderança

Sua empresa já usa o instrumento MBTI® para que os líderes se conheçam melhor e conversem sobre diferenças. Esta página mostra onde ele ajuda, onde a pergunta muda e o que o Hogan acrescenta quando o objetivo passa a ser a entrega do líder.

Em resumo: o instrumento MBTI® é útil para autoconhecimento e para criar uma linguagem comum no time. Quando a empresa precisa saber como um líder tende a agir no trabalho, o que pode atrapalhar sob pressão e como isso se compara a outros líderes, a pergunta muda. O Hogan foi desenhado para o trabalho, compara cada pessoa com uma norma e inclui comportamentos que tendem a aparecer sob pressão. O dado de uma avaliação serve ao desenvolvimento, à sucessão e à formação de times.

O que o MBTI® faz bem

As escalas do MBTI® têm confiabilidade aceitável e correspondem a quatro dos cinco grandes fatores de personalidade (Capraro & Capraro, 2002; McCrae & Costa, 1989). Em programas de desenvolvimento, elas ajudam as pessoas a falar das próprias preferências sem julgamento e dão ao grupo um vocabulário comum. A editora recomenda esse uso, e a Myers & Briggs Foundation, dona da marca, lembra que o resultado nunca deve ser usado para limitar alguém.

Se o seu programa conseguiu isso, ele já fez a parte difícil: as pessoas aceitam conversar sobre personalidade no trabalho.

Onde a pergunta muda

A pergunta do MBTI®

Que preferências esta pessoa reconhece em si? Como ela tende a perceber o mundo e a decidir?

Resultado em tipos de quatro letras. Segundo a editora, cerca de metade das pessoas obtém o mesmo tipo ao refazer o instrumento.

A pergunta do líder e do RH

Como esta pessoa costuma agir com a equipe, o que pode atrapalhar quando a pressão sobe e o que a motiva no trabalho?

Resposta em escalas contínuas, comparadas com uma norma de referência.

Os escores do MBTI® se distribuem de forma contínua e concentrados no centro, não em dois grupos separados (Bess & Harvey, 2002). Por isso duas pessoas com o mesmo tipo podem estar muito longe uma da outra, e duas com tipos diferentes podem estar quase no mesmo ponto. Para conversa, isso pesa pouco. Para planejar o desenvolvimento de um líder específico, pesa mais.

O que o Hogan acrescenta

O Hogan parte do mesmo modelo de cinco fatores que a pesquisa usa como referência e foi desenhado para o contexto de trabalho. Na prática, o RH ganha quatro coisas:

O que mudaInstrumento MBTI®Hogan
Formato do resultadoTipo de quatro letrasEscalas contínuas comparadas com uma norma
Estabilidade emocionalFora do escopo (McCrae & Costa, 1989)Medida pela escala Ajustamento do HPI
Comportamento sob pressãoFora do escopoHDS: tendências que surgem sob estresse e desgastam a reputação do líder
Valores e motivaçãoFora do escopoMVPI: o que a pessoa valoriza e o ambiente em que rende mais

Os dois instrumentos também se encontram em parte. No manual técnico brasileiro do HPI, a escala Extroversão-Introversão do MBTI® tem correlação de -0,50 com a escala Sociabilidade do HPI, em 188 pessoas que responderam aos dois (Tabela 5.11). O sinal negativo vem da codificação do MBTI®: quem pontua alto em Sociabilidade tende à preferência por Extroversão. Quem já conhece o próprio tipo reconhece parte do que vai ler no Hogan, e isso facilita a transição.

A pesquisa sobre personalidade e trabalho mostra relações moderadas e consistentes: os cinco grandes fatores juntos têm correlação de 0,48 com liderança (Judge et al., 2002). Nenhum instrumento prevê sozinho o futuro de uma pessoa; ele organiza a conversa e reduz o achismo.

Como fazer a transição sem desmontar o programa

  1. Piloto com uma turma. Os participantes de uma turma do programa respondem ao Hogan. O relatório Leader Focus descreve o estilo de liderança a partir do HPI e do MVPI; o pacote Insight reúne os três inventários (HPI, HDS e MVPI) e inclui os riscos sob pressão.
  2. Devolutiva individual. Cada líder recebe a leitura com um consultor certificado. O tipo do MBTI® pode entrar na conversa como ponto de partida que a pessoa já conhece.
  3. Leitura do grupo. O RH vê os padrões da turma e compara com o que o programa já mostrava.
  4. Decisão de ampliar. Se o piloto trouxer informação que o RH não tinha, o mesmo dado passa a servir à sucessão, à formação de times e ao acompanhamento do líder, com o consentimento de cada participante para esses usos. Avaliar uma vez e usar o dado ao longo do ciclo.

Para entender a família de instrumentos, veja o guia de introdução à Hogan. Para o uso do dado de grupo, veja Inteligência de Talentos.

Perguntas frequentes

Preciso abandonar o MBTI® para usar o Hogan?

Não. O instrumento MBTI® pode continuar como ferramenta de autoconhecimento e de conversa em equipe. O Hogan entra quando a pergunta passa a ser como o líder tende a agir no trabalho e o que pode atrapalhar sob pressão.

O que o Hogan mede que o MBTI® não mede?

As escalas do MBTI® correspondem a quatro dos cinco grandes fatores de personalidade e deixam de fora a estabilidade emocional (McCrae & Costa, 1989). O Hogan cobre esse fator, compara a pessoa com uma norma e acrescenta o HDS, que descreve comportamentos que aparecem sob pressão.

Os dois instrumentos se contradizem?

Em parte medem a mesma coisa. No manual técnico brasileiro do HPI, a escala Extroversão-Introversão do MBTI® tem correlação de -0,50 com a escala Sociabilidade do HPI (188 pessoas). O sinal negativo vem da codificação do MBTI®: quem pontua alto em Sociabilidade tende à preferência por Extroversão. A diferença está no que cada um faz com o dado.

Como começar sem trocar o programa inteiro?

Com um piloto em uma turma: os participantes respondem ao Hogan, recebem devolutiva e o RH compara o que cada abordagem mostrou. A decisão de ampliar vem depois, com o resultado do piloto.

Quero levar o Hogan aos meus clientes. Por onde começo?

Consultores e coaches que já trabalham com o MBTI® podem se certificar no Hogan. Veja as certificações.

Quer testar com uma turma do seu programa?

Conte como o programa funciona hoje. A gente desenha o piloto com você.

Conversar pelo WhatsApp MBTI® em decisões de promoção e sucessão

Veja também: Hogan, DISC, MBTI® e Big Five: comparativo · Os descarriladores de liderança (HDS)

Referências

  • Bess, T. L., & Harvey, R. J. (2002). Bimodal score distributions and the Myers-Briggs Type Indicator: Fact or artifact? Journal of Personality Assessment, 78(1), 176-186. doi:10.1207/S15327752JPA7801_11
  • Capraro, R. M., & Capraro, M. M. (2002). Myers-Briggs Type Indicator score reliability across studies. Educational and Psychological Measurement, 62(4), 590-602. doi:10.1177/0013164402062004004
  • Couto, G., & Holer, A. (2013). Inventário Hogan de Personalidade (HPI): adaptação brasileira e normas. Atelie RH. Tabela 5.11 (estudo Hogan, 2013, não publicado, com 188 pessoas que responderam ao HPI e ao MBTI®).
  • Judge, T. A., Bono, J. E., Ilies, R., & Gerhardt, M. W. (2002). Personality and leadership. Journal of Applied Psychology, 87(4), 765-780. doi:10.1037/0021-9010.87.4.765
  • McCrae, R. R., & Costa, P. T. (1989). Reinterpreting the Myers-Briggs Type Indicator from the perspective of the five-factor model of personality. Journal of Personality, 57(1), 17-40. doi:10.1111/j.1467-6494.1989.tb00759.x
  • Myers & Briggs Foundation. Ethical Use of the MBTI® Assessment. Consulta em 13/10/2026.
  • The Myers-Briggs Company. MBTI® Facts. Consulta em 13/10/2026.
MBTI, Myers-Briggs e Myers-Briggs Type Indicator são marcas registradas da Myers & Briggs Foundation, Inc. A Artisan Consultoria não é afiliada, patrocinada nem endossada pela fundação nem pela editora do instrumento. Hogan, HPI, HDS e MVPI são marcas da Hogan Assessment Systems; a Artisan é distribuidora oficial Hogan no Brasil. Conteúdo educativo; cada leitura de personalidade é hipótese a confirmar com a pessoa.